Doença de Newcastle é detectada em granja comercial de perus em Santa Catarina

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) informaram, em 19 de outubro de 2026, que acompanham uma ocorrência de Doença de Newcastle em um estabelecimento comercial de produção de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina.

Segundo a nota oficial, o acompanhamento ocorre em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina.

As entidades fizeram ainda uma ressalva importante: não houve manifestação clínica da doença nas aves confinadas. O vírus foi detectado, mas os animais não apresentaram sinais clínicos associados à enfermidade.

O governo estabeleceu uma área de restrição de aproximadamente 10 quilômetros ao redor do foco, abrangendo os municípios de Nova Itaberaba, Nova Erechim, Águas Frias e Coronel Freitas. Ao todo, 133 granjas serão acompanhadas por equipes de defesa agropecuária e foi declarado estado de emergência na região. O governo de Santa Catarina, comandado por Jorginho Mello (PL), foi informado e trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura nas ações de controle.

O que foi confirmado em Nova Itaberaba?

A ocorrência envolve um estabelecimento de produção comercial de perus localizado em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense.

A nota setorial da ABPA, ACAV e Sindicarne-SC afirma que houve detecção do vírus da Doença de Newcastle, mas sem manifestação clínica da doença nas aves alojadas.

Essa distinção é importante.

A detecção de um agente por diagnóstico laboratorial não significa necessariamente que os animais estejam apresentando o quadro clínico característico da enfermidade.

No caso informado pelas entidades, o ponto destacado é justamente a presença do vírus sem sinais clínicos observados no plantel.

Área de restrição inclui quatro municípios e 133 granjas

Após a confirmação do foco, foi estabelecida uma área de restrição e vigilância sanitária no entorno da propriedade afetada, abrangendo Nova Itaberaba, Nova Erechim, Águas Frias e Coronel Freitas, no Oeste de Santa Catarina.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura durante coletiva de imprensa, 133 granjas localizadas na área perifocal serão acompanhadas pelas equipes de defesa agropecuária.

A propriedade onde ocorreu a detecção foi interditada, e as ações previstas incluem medidas de contenção, eliminação do foco, limpeza, desinfecção e vigilância das unidades localizadas no entorno.

As autoridades estaduais e federais atuam de forma conjunta na investigação e no controle da ocorrência.

O acompanhamento das propriedades da região é uma etapa fundamental para verificar se houve disseminação do agente e permitir uma resposta rápida caso novas suspeitas sejam identificadas.

O que é a Doença de Newcastle?

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral contagiosa que afeta principalmente aves.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a doença é causada por determinadas variantes virulentas do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1) e é de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

A infecção pode apresentar diferentes níveis de gravidade de acordo com fatores como:

  • espécie afetada;
  • idade das aves;
  • cepa viral;
  • nível de virulência;
  • condições sanitárias;
  • resposta imunológica do plantel.

Em situações clínicas, a doença pode causar sinais respiratórios, neurológicos e digestivos, além de mortalidade variável.

Por que a detecção exige medidas sanitárias mesmo sem sinais clínicos?

Em doenças de controle oficial, o Serviço Veterinário Oficial não depende apenas da presença de sinais visíveis para iniciar uma resposta.

A confirmação laboratorial de um agente sujeito a controle sanitário pode desencadear medidas previstas nos protocolos nacionais de vigilância e contingência.

O Brasil mantém o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), que estabelece ações de prevenção, vigilância e controle para enfermidades como Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

Segundo o MAPA, a vigilância tem como objetivos:

  • detectar precocemente casos em aves domésticas e silvestres;
  • demonstrar ausência da doença na avicultura industrial;
  • sustentar a certificação sanitária e o comércio;
  • orientar ações de prevenção e controle.

Brasil dispõe de protocolos de contenção e controle

Na nota divulgada em 19 de outubro, ABPA, ACAV e Sindicarne-SC ressaltaram que o país conta com um sistema estruturado de defesa sanitária.

Esse sistema envolve protocolos de:

  • vigilância;
  • prevenção;
  • investigação;
  • contenção;
  • controle sanitário;
  • notificação;
  • rastreamento epidemiológico.

A legislação brasileira prevê medidas específicas para situações envolvendo Doença de Newcastle.

Entre as principais normas estão a Instrução Normativa SDA nº 17/2006, que aprovou o Plano Nacional de Prevenção da Influenza Aviária e de Controle e Prevenção da Doença de Newcastle, e a Instrução Normativa SDA nº 32/2002, que estabelece normas técnicas de vigilância, controle e erradicação.

Biosseguridade é uma das principais barreiras contra a disseminação

O Ministério da Agricultura destaca que a aplicação de medidas de biosseguridade nos estabelecimentos avícolas é uma das principais estratégias para reduzir o risco de introdução e disseminação do vírus.

A propagação pode ocorrer por diferentes vias, incluindo:

  • aerossóis;
  • secreções de aves infectadas;
  • materiais contaminados;
  • veículos;
  • equipamentos;
  • pessoas;
  • roedores;
  • insetos;
  • outros vetores.

Por isso, programas de biosseguridade devem combinar barreiras físicas e operacionais.

Entre as medidas mais importantes estão:

  • controle de acesso às instalações;
  • higienização de veículos e equipamentos;
  • troca de roupas e calçados;
  • controle de visitantes;
  • limpeza e desinfecção;
  • controle de pragas;
  • separação de áreas limpas e sujas;
  • monitoramento sanitário;
  • notificação rápida de suspeitas.

A ocorrência é uma questão de sanidade animal

A nota das entidades do setor faz uma distinção importante entre sanidade animal e segurança dos alimentos.

Segundo ABPA, ACAV e Sindicarne-SC, a ocorrência é uma questão sanitária relacionada ao ambiente produtivo.

As entidades afirmam que não existe relação entre o caso informado e risco associado ao consumo de produtos avícolas.

Esse esclarecimento é importante para evitar interpretações equivocadas sobre a segurança do alimento.

Carne de aves e outros produtos continuam seguros para consumo

A presença de uma ocorrência sanitária em uma propriedade não significa que produtos regularmente inspecionados representem risco para o consumidor.

A nota setorial afirma de forma direta que o evento não está relacionado à segurança dos alimentos.

A questão envolve o controle sanitário dentro do sistema produtivo e as medidas necessárias para evitar circulação do agente.

O papel da vigilância epidemiológica

A vigilância da Doença de Newcastle no Brasil inclui investigação imediata de casos suspeitos.

Produtores, responsáveis técnicos, médicos-veterinários e qualquer pessoa que identifique mortalidade repentina ou sinais compatíveis com síndromes respiratórias ou neurológicas devem comunicar o Serviço Veterinário Oficial.

A partir da notificação, são realizadas etapas como:

  • investigação de campo;
  • avaliação epidemiológica;
  • coleta de amostras;
  • diagnóstico laboratorial;
  • eventual interdição da propriedade;
  • rastreamento de contatos;
  • aplicação das medidas previstas em legislação.

A Doença de Newcastle exige notificação imediata de qualquer caso suspeito ao Serviço Veterinário Oficial.

Biosseguridade depende de resposta rápida

Ocorrências desse tipo reforçam um princípio básico dos programas de prevenção: quanto mais cedo um agente é identificado, maior a possibilidade de restringir sua disseminação.

A biosseguridade não se limita a impedir que o agente entre em uma propriedade.

Ela também envolve:

  • detecção precoce;
  • vigilância;
  • rastreabilidade;
  • comunicação rápida;
  • cumprimento dos protocolos oficiais;
  • resposta coordenada entre setor produtivo e autoridades sanitárias.

Na nota oficial, ABPA, ACAV e Sindicarne-SC destacaram o compromisso do setor com biosseguridade, transparência e cumprimento das medidas estabelecidas pelas autoridades.

Entidades seguirão acompanhando o caso

A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC informaram que continuarão acompanhando a situação e apoiando as ações das autoridades competentes.

Como a ocorrência está em investigação e sob acompanhamento sanitário, novas informações oficiais podem alterar ou complementar o quadro atual.

A Biosseguridade.com seguirá atualizando a matéria caso sejam divulgados novos dados pelo MAPA, pelo Governo de Santa Catarina ou pelas entidades representativas do setor.

Perguntas frequentes sobre a Doença de Newcastle em Santa Catarina

Onde ocorreu a detecção da Doença de Newcastle?

A ocorrência foi registrada em um estabelecimento comercial de produção de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina.

A doença apresentou sinais clínicos nas aves?

Segundo a nota oficial da ABPA, ACAV e Sindicarne-SC, não houve manifestação clínica. Houve detecção do vírus, mas não manifestação clínica da doença nas aves confinadas.

Que tipo de criação foi afetada?

A ocorrência foi registrada em um estabelecimento de produção comercial de perus.

Quantas granjas estão sendo monitoradas no entorno do foco?

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura durante coletiva sobre o caso, 133 granjas localizadas na área perifocal estão incluídas no monitoramento realizado pelas equipes de defesa agropecuária.

Quais municípios fazem parte da área de vigilância?

A área de restrição e monitoramento alcança Nova Itaberaba, Nova Erechim, Águas Frias e Coronel Freitas, em Santa Catarina.

O que causa a Doença de Newcastle?

A doença está associada a variantes virulentas do paramixovírus aviário do sorotipo 1, conhecido como APMV-1.

A Doença de Newcastle é de notificação obrigatória?

Sim. A doença exige notificação imediata de qualquer suspeita ao Serviço Veterinário Oficial e também integra as enfermidades notificáveis à Organização Mundial de Saúde Animal.

Como o vírus pode se espalhar?

O vírus pode ser disseminado por aerossóis, secreções, materiais contaminados, equipamentos, veículos e outros vetores envolvidos na movimentação dentro e entre estabelecimentos avícolas.

A ocorrência representa risco ao consumo de carne de aves?

Segundo a nota oficial das entidades do setor, não. A ocorrência é uma questão de sanidade animal restrita ao ambiente produtivo e não está relacionada à segurança dos alimentos.

Qual é o papel da biosseguridade?

A biosseguridade ajuda a impedir a entrada e a disseminação do vírus por meio de controle de acessos, limpeza, desinfecção, controle de veículos, equipamentos, pessoas e pragas, além do monitoramento sanitário.

O que o produtor deve fazer diante de uma suspeita?

Mortalidade repentina, sinais respiratórios, digestivos ou neurológicos devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial, que realizará a investigação e definirá as medidas necessárias.

As autoridades sanitárias estão acompanhando o caso?

Sim. A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC informaram que acompanham a ocorrência em conjunto com o MAPA e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina.

Fontes

Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e Sindicarne-SC
Nota oficial “Doença de Newcastle na produção comercial do Brasil” — 19 de outubro de 2026.

Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
Programa Nacional de Sanidade Avícola — Doença de Newcastle, vigilância, prevenção e normas oficiais.

 

Foto de Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte

Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte

BIOSSEGURIDADE.COM: Uma plataforma dedicada à biosseguridade para todas as espécies animais e vegetais, idealizada pelos veterinários Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte que juntos possuem mais de 60 anos de experiência no setor. Ambos compartilham o objetivo de conscientizar sobre a biosseguridade e contribuir para ambientes mais seguros na produção animal e vegetal, baseando-se na experiência prática acumulada e em estratégias empresariais e de comunicação eficazes para o crescimento da Biosseguridade.com.

Deixe uma mensagem

Sobre a Plataforma

BIOSSEGURIDADE.COM é uma plataforma dedicada à biosseguridade para todas as espécies animais e vegetais, idealizada pelos veterinários Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte que juntos possuem mais de 60 anos de experiência no setor. Ambos compartilham o objetivo de conscientizar sobre a biosseguridade e contribuir para ambientes mais seguros na produção animal e vegetal, baseando-se na experiência prática acumulada e em estratégias empresariais e de comunicação eficazes para o crescimento da Biosseguridade.com.

Últimas Notícias

Estamos no Youtube