Incubatórios são ponto crítico para impedir a disseminação de patógenos na cadeia avícola, aponta revisão da USP

Um pintinho pode percorrer poucas horas entre o incubatório e a granja, mas os riscos sanitários associados a esse trajeto podem alcançar diferentes propriedades. Isso acontece porque os incubatórios ocupam uma posição estratégica na cadeia avícola: recebem ovos provenientes de diferentes lotes de matrizes e, depois da eclosão, distribuem aves de um dia para múltiplas unidades produtivas.

É justamente essa característica que faz dos incubatórios um ponto crítico de controle para a biosseguridade avícola, segundo uma revisão publicada em 2026 no Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, periódico da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).

O artigo “Operational biosecurity in poultry hatcheries”, de Aline Tujimoto-Silva, Renata Pamela Barrachini Steffen e Terezinha Knöbl, reúne evidências científicas e orientações práticas sobre controle de pessoas, veículos, materiais, ovos férteis, pragas, limpeza e desinfecção, monitoramento microbiológico e vacinação.

A principal mensagem do trabalho é que biosseguridade em incubatórios não depende de uma única barreira. Ela precisa ser estruturada como um sistema contínuo, com infraestrutura adequada, procedimentos claramente definidos, monitoramento, treinamento das equipes e acompanhamento técnico veterinário.

Por que os incubatórios merecem atenção especial?

A cadeia de produção avícola é organizada como uma pirâmide que começa com aves de pedigree e segue por bisavós, avós, matrizes e, finalmente, frangos de corte ou poedeiras comerciais.

Segundo a revisão, esse ciclo pode se estender por aproximadamente cinco anos. Quanto mais alto o nível da pirâmide, maior o valor agregado das aves e mais rigorosas precisam ser as medidas de biosseguridade.

Nesse sistema, os incubatórios representam uma conexão entre diferentes unidades produtivas.

Um único incubatório pode fornecer aves para diversas granjas. Ao mesmo tempo, recebe ovos de diferentes origens e mantém intenso fluxo de pessoas, veículos, equipamentos e materiais.

Algumas estruturas modernas possuem capacidade de incubação superior a 15 milhões de ovos por mês.

A grande escala melhora a eficiência produtiva, mas também amplia a importância das barreiras sanitárias. Ovos de diferentes lotes de matrizes podem compartilhar o mesmo ambiente, favorecendo a transmissão horizontal de agentes presentes em ovos já contaminados, entre eles Mycoplasma e Salmonella spp.

Além disso, as condições de temperatura, umidade e disponibilidade de nutrientes próprias da incubação também podem favorecer a multiplicação de microrganismos quando ocorre contaminação.

Biosseguridade começa antes da rotina operacional

A revisão organiza a biosseguridade em três níveis: conceitual, estrutural e operacional.

Biosseguridade conceitual

É a base do sistema e envolve decisões tomadas antes mesmo da implantação da unidade.

Entre elas estão:

  • localização;
  • capacidade produtiva;
  • modelo de produção;
  • distância de outras explorações avícolas;
  • proximidade de mercados de aves vivas;
  • presença de aves silvestres;
  • proximidade de outras produções animais;
  • direção dos ventos;
  • planejamento dos fluxos.

São decisões particularmente importantes porque erros nessa etapa podem ser difíceis de corrigir posteriormente.

Biosseguridade estrutural

Está relacionada à infraestrutura.

Inclui:

  • edifícios;
  • equipamentos;
  • barreiras sanitárias;
  • organização dos setores;
  • ventilação;
  • drenagem;
  • superfícies;
  • acessos;
  • áreas para higienização.

Ao contrário das decisões conceituais, parte dessas estruturas pode ser modificada ou aperfeiçoada com investimentos.

Biosseguridade operacional

É o conjunto de procedimentos executados diariamente.

Inclui, entre outras medidas:

  • controle de pessoas;
  • controle de veículos;
  • entrada de materiais;
  • manejo dos ovos férteis;
  • vacinação;
  • monitoramento microbiológico;
  • limpeza e desinfecção;
  • controle de pragas.

Por ser dinâmica, a biosseguridade operacional também permite respostas mais rápidas quando surge uma emergência sanitária ou suspeita de doença.

Fluxo sanitário deve separar áreas limpas e contaminadas

O desenho do fluxo sanitário é apontado como um dos elementos estruturais mais importantes dentro de um incubatório.

A revisão recomenda a divisão das instalações em três zonas:

Área limpa: da recepção dos ovos até as incubadoras carregadas.

Área semilimpa: envolve etapas intermediárias anteriores à transferência e equipamentos já higienizados.

Área suja: compreende as áreas de nascimento e expedição, onde há aves recém-nascidas e maior carga de material orgânico.

A lógica é impedir que pessoas, materiais, equipamentos ou fluxo de ar retornem de uma área de maior risco para uma área considerada mais limpa.

A ventilação também integra essa estratégia. O ar deve se deslocar das áreas mais limpas para as mais contaminadas, e os pontos de entrada de ar precisam ser posicionados de maneira a evitar recirculação proveniente das saídas.

Pessoas estão entre as principais vias de entrada de agentes

Trabalhadores e visitantes podem transportar agentes infecciosos por meio do corpo, roupas, calçados, acessórios e objetos pessoais.

Por isso, o estudo destaca a necessidade de restringir o acesso às áreas produtivas e avaliar previamente a entrada de visitantes.

Uma triagem sanitária pode considerar, por exemplo:

  • visitas recentes a granjas avícolas;
  • contato com unidades de produção de suínos;
  • presença de aves domésticas na residência;
  • contato recente com aves;
  • sinais respiratórios;
  • sinais gastrointestinais.

Quando houver risco sanitário, a entrada deve ser restringida.

Banho e troca de roupas também aparecem entre as barreiras recomendadas para impedir que microrganismos sejam carregados para dentro das áreas produtivas.

A revisão cita estudo no qual medidas relativamente simples — troca de roupas, utilização de botas exclusivas e pedilúvios — reduziram em até 50% a ocorrência de infecção por Campylobacter nos lotes avaliados.

Celulares e objetos pessoais também podem representar risco

A biosseguridade não termina no banho ou na troca de calçados.

Objetos pessoais podem funcionar como superfícies para transporte indireto de microrganismos. Por isso, a revisão recomenda evitar a entrada de celulares, joias e outros objetos nas áreas de produção.

A higienização das mãos deve ocorrer, entre outros momentos:

  • na entrada e saída dos setores;
  • depois do contato com materiais de risco biológico;
  • durante mudanças entre lotes de ovos ou pintinhos;
  • após o uso de sanitários.

A adesão das pessoas aos procedimentos é tratada no artigo como uma das principais condições para que um programa de biosseguridade funcione efetivamente.

Veículos podem conectar diferentes propriedades

O transporte também representa uma importante rota potencial de disseminação de patógenos.

Veículos que transitam entre granjas podem transportar agentes em pneus, chassis e compartimentos de carga.

A revisão cita inclusive evidências que relacionam a movimentação de veículos ligados à produção avícola à transmissão de influenza aviária entre propriedades.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • controle de acesso;
  • barreiras físicas;
  • higienização;
  • desinfecção;
  • registro das entradas e saídas;
  • separação dos veículos conforme sua função.

Idealmente, veículos responsáveis pelo transporte de ovos férteis, pintinhos e suprimentos devem possuir fluxos distintos.

O ovo fértil é uma das principais portas de entrada para contaminantes

Entre todos os insumos recebidos pelo incubatório, o ovo fértil ocupa posição central na gestão do risco sanitário.

A prevenção começa ainda na granja de matrizes.

Os ovos podem apresentar contaminação externa ou interna.

A contaminação externa pode ser reduzida por medidas de manejo e desinfecção. Na contaminação interna, porém, os microrganismos ficam protegidos das medidas aplicadas à superfície, aumentando o risco de disseminação dentro do incubatório.

Por isso, a rastreabilidade dos ovos deve acompanhar todo o processo.

O artigo recomenda registros como:

  • origem dos lotes;
  • certificados sanitários das granjas de matrizes;
  • quantidade recebida;
  • data de produção;
  • identificação dos lotes;
  • armazenamento;
  • destino dentro da incubação.

Outro cuidado está relacionado à temperatura durante o transporte.

Mudanças inadequadas podem provocar condensação de umidade sobre a casca, fenômeno conhecido como “suor do ovo”. A umidade na superfície favorece a multiplicação bacteriana e pode facilitar a penetração de microrganismos através da casca.

Ovo quebrado também pode aumentar a contaminação

Dentro do incubatório, diferentes etapas podem amplificar uma contaminação já existente.

A revisão destaca recepção, classificação, incubação e nascimento.

O rompimento de ovos merece atenção porque seu conteúdo possui nutrientes capazes de favorecer a multiplicação microbiana.

A incubação artificial de ovos de galinhas ocorre normalmente ao redor de 37,8 °C, temperatura que também é favorável à multiplicação de enterobactérias.

Isso ajuda a explicar por que pequenas falhas de manejo podem ganhar outra dimensão dentro de instalações de grande capacidade.

Pragas podem transportar Salmonella e outros agentes

Moscas, besouros, baratas e roedores também integram o conjunto de riscos abordados pela revisão.

A mosca-doméstica (Musca domestica) é citada como importante vetor associado à disseminação de Salmonella spp. e Escherichia coli.

Um dos estudos reunidos pela revisão encontrou Salmonella em 13,3% das moscas avaliadas e Campylobacter em 5%.

Outro trabalho mostrou experimentalmente que a mosca-doméstica foi capaz de manter o vírus da doença de Newcastle por até 96 horas no papo e 24 horas no intestino.

Há ainda evidências de persistência prolongada de agentes em artrópodes. A revisão relata um estudo no qual Salmonella Enteritidis foi isolada de besouros 21 meses após a retirada de um lote de aves.

Os roedores também recebem atenção especial.

Além de carrearem diferentes agentes, podem circular entre ambientes e propriedades. A revisão cita dado segundo o qual um único camundongo infectado por Salmonella Enteritidis pode eliminar até 23 milhões de células bacterianas em 24 horas, contaminando amplamente o ambiente.

Por isso, o controle integrado de pragas deve combinar:

  • eliminação de abrigos;
  • organização das áreas externas;
  • vedação de acessos;
  • controle de umidade;
  • limpeza;
  • barreiras físicas;
  • iscas;
  • monitoramento contínuo;
  • uso racional de produtos químicos.

Limpeza pode remover mais de 90% da carga microbiana

Um dos pontos mais práticos da revisão está na discussão dos procedimentos de limpeza e desinfecção.

Os autores destacam que limpar e desinfetar não são sinônimos.

A primeira etapa precisa remover matéria orgânica, porque resíduos podem impedir a penetração e até inativar quimicamente determinados princípios ativos dos desinfetantes.

A revisão cita estudos indicando que uma limpeza bem executada pode remover mais de 90% da carga microbiana presente nas superfícies.

Quando essa etapa é seguida de desinfecção adequada, a redução pode chegar a 99% das populações microbianas viáveis.

Esse dado reforça uma questão básica, mas frequentemente negligenciada: aplicar desinfetante sobre uma superfície inadequadamente limpa não garante um processo sanitário eficiente.

Nove etapas para limpeza e desinfecção

O artigo organiza o processo em nove etapas, sendo sete relacionadas à limpeza e duas à desinfecção:

  1. preparação da limpeza;
  2. limpeza seca;
  3. pré-lavagem;
  4. aplicação de detergente;
  5. ação mecânica ou esfregação;
  6. enxágue;
  7. inspeção visual;
  8. aplicação do desinfetante;
  9. secagem.

O desempenho depende ainda de fatores como tempo de contato, temperatura, ação mecânica e ação química.

Para a escolha do desinfetante, devem ser considerados:

  • microrganismo-alvo;
  • concentração;
  • tempo de contato;
  • pH;
  • temperatura;
  • tipo de superfície;
  • presença de matéria orgânica;
  • método de aplicação;
  • toxicidade para animais.

Visualmente limpo não significa microbiologicamente seguro

Um ponto importante levantado pela revisão é que a inspeção visual, isoladamente, não é suficiente para validar um processo de higienização.

Drenos, rachaduras, cantos e outras áreas de difícil limpeza podem permanecer contaminados mesmo quando aparentemente limpos.

Por isso, são recomendadas diferentes formas de verificação:

  • inspeção visual;
  • verificação por contato;
  • conferência operacional;
  • monitoramento microbiológico.

A verificação operacional avalia se foram respeitados elementos como concentração do produto, temperatura, tempo de contato e pressão de aplicação.

Já a análise microbiológica permite medir a carga residual nos pontos críticos.

Monitoramento microbiológico precisa acompanhar os pontos críticos

O monitoramento ajuda tanto a avaliar a pressão de infecção quanto a verificar se os protocolos de limpeza e desinfecção estão funcionando.

Entre as amostras e métodos citados estão:

  • swabs de arrasto;
  • placas de sedimentação;
  • ovos bicados;
  • mecônio;
  • pintinhos;
  • solução vacinal;
  • forros das caixas;
  • penugem;
  • água;
  • testes de ATP.

Os pontos de coleta podem incluir incubadoras, nascedouros, classificadoras, equipamentos de vacinação in ovo, bandejas, caixas e veículos de transporte.

A revisão chama atenção ainda para uma limitação das placas de sedimentação: apesar de simples e baratas, elas podem gerar falsos negativos em determinadas condições.

A análise de penugem e a coleta por swabs em superfícies apresentaram maior sensibilidade em alguns estudos citados.

Vacinação também integra a biosseguridade

A vacinação é apresentada como outro componente fundamental do programa de biosseguridade do incubatório.

Os protocolos devem ser definidos pelo médico-veterinário responsável pela sanidade das aves.

Entre as tecnologias utilizadas estão:

  • vacinação in ovo;
  • aplicação subcutânea;
  • vacinação por spray.

Além da aplicação, o artigo destaca a importância da rastreabilidade das vacinas.

Devem ser registrados:

  • estoque;
  • consumo;
  • lote;
  • validade;
  • horário de preparo;
  • condições de armazenamento.

As temperaturas dos refrigeradores devem ser monitoradas diariamente e, quando houver armazenamento em nitrogênio líquido, o nível precisa ser acompanhado com a mesma regularidade — preferencialmente pelo menos duas vezes ao dia.

Biosseguridade também pode ajudar a reduzir o uso de antimicrobianos

A revisão relaciona biosseguridade e redução da necessidade de antimicrobianos.

Um trabalho citado pelos autores avaliou estudos sobre práticas de biosseguridade e uso de antimicrobianos em animais de produção.

Em 51,8% dos estudos analisados, foi identificada associação positiva entre adoção de biosseguridade e redução do uso de antimicrobianos.

Outros 18,5% associaram melhorias nas práticas de manejo a uma utilização menor dessas substâncias.

Os números não representam um efeito específico de uma única intervenção em incubatórios, mas ajudam a mostrar como prevenção, manejo sanitário e uso racional de antimicrobianos estão relacionados.

Pessoas continuam sendo determinantes para o funcionamento do sistema

Apesar da automação cada vez maior dos incubatórios, uma das principais conclusões da revisão retorna ao fator humano.

Os autores ressaltam que a eficácia da biosseguridade depende de educação continuada, treinamento sistemático e adesão rigorosa aos protocolos.

A responsabilidade não é exclusiva dos gestores ou médicos-veterinários.

Todos os profissionais envolvidos na operação precisam compreender:

  • quais riscos estão sendo controlados;
  • por que os procedimentos existem;
  • como devem ser executados;
  • quais consequências podem ocorrer quando as barreiras são quebradas.

Os treinamentos também precisam ser atualizados de acordo com novos desafios epidemiológicos.

Médico-veterinário tem papel estratégico

A revisão destaca ainda a orientação regular de médicos-veterinários especializados em sanidade avícola como elemento relevante para a qualidade dos programas de biosseguridade.

Esses profissionais podem identificar fragilidades nos protocolos, avaliar vias de transmissão e adaptar medidas preventivas às características e aos riscos de cada operação.

O papel educativo também ganha relevância, porque a construção de uma cultura de biosseguridade depende de acompanhamento contínuo e não apenas da existência de procedimentos escritos.

Uma falha no incubatório pode ultrapassar seus próprios limites

Um dos aspectos mais importantes da revisão para a cadeia avícola está na posição ocupada pelo incubatório.

Uma falha sanitária em uma granja pode inicialmente permanecer restrita a uma propriedade. No incubatório, entretanto, a circulação de ovos de diferentes origens e a posterior distribuição de aves para múltiplos destinos cria condições para que um problema tenha alcance muito maior.

Por isso, a biosseguridade precisa ser pensada desde a origem dos ovos férteis até a expedição dos pintinhos.

O estudo reforça que estrutura adequada, procedimentos operacionais, monitoramento microbiológico, controle de pragas, vacinação, limpeza e desinfecção precisam funcionar de maneira integrada.

Mais do que cumprir uma sequência de protocolos, o desafio está em construir um sistema que identifique as vias de entrada dos patógenos, estabeleça barreiras e verifique continuamente se essas barreiras permanecem eficazes.

Perguntas frequentes sobre biosseguridade em incubatórios

Por que os incubatórios são considerados pontos críticos da cadeia avícola?

Porque recebem ovos de diferentes lotes e podem distribuir pintinhos de um dia para várias granjas. Dessa forma, uma contaminação presente no incubatório pode alcançar diferentes propriedades e etapas da cadeia produtiva.

Quais são os três níveis de biosseguridade apresentados pelo estudo?

A revisão divide a biosseguridade em conceitual, estrutural e operacional. A conceitual envolve decisões como localização e modelo produtivo; a estrutural compreende instalações e equipamentos; e a operacional reúne os procedimentos sanitários executados diariamente.

Quais são as principais vias de entrada de patógenos em um incubatório?

O artigo agrupa as principais vias em quatro categorias: movimentação de pessoas, circulação de veículos, entrada de materiais e insumos e presença de vetores biológicos.

Por que o ovo fértil exige atenção especial?

Porque é o principal insumo recebido pelo incubatório e pode apresentar contaminação tanto externa quanto interna. Além disso, ovos de diferentes origens podem compartilhar etapas do processo de incubação, aumentando a necessidade de rastreabilidade e controle sanitário.

Qual a importância da limpeza antes da desinfecção?

A matéria orgânica reduz a eficiência dos desinfetantes. Os estudos reunidos pela revisão indicam que uma limpeza adequada pode remover mais de 90% da carga microbiana de uma superfície e, quando seguida de desinfecção adequada, a redução pode atingir até 99% das populações microbianas viáveis.

Apenas a inspeção visual é suficiente para avaliar a higienização?

Não. Áreas como rachaduras, drenos e cantos podem continuar contaminadas mesmo quando parecem limpas. Por isso, a revisão recomenda combinar inspeções visual e operacional com métodos de verificação microbiológica.

Por que o controle de pragas faz parte da biosseguridade?

Moscas, baratas, besouros e roedores podem transportar agentes infecciosos e contribuir para sua permanência e disseminação no ambiente. O controle precisa combinar barreiras físicas, higiene, manejo ambiental e monitoramento.

O transporte representa risco sanitário?

Sim. Veículos que circulam entre diferentes propriedades podem transportar agentes em pneus, chassis e compartimentos de carga. Por isso, controle de acesso, higienização, desinfecção e rastreabilidade das movimentações integram os programas de biosseguridade.

Qual é a relação entre biosseguridade e uso de antimicrobianos?

A revisão cita uma análise na qual 51,8% dos estudos avaliados encontraram associação entre maior adoção de biosseguridade e menor utilização de antimicrobianos. Isso reforça o papel das medidas preventivas na redução da pressão de infecção, embora não permita atribuir uma redução específica a uma única intervenção.

Qual é o papel dos trabalhadores no programa de biosseguridade?

É fundamental. As barreiras sanitárias só funcionam quando os procedimentos são compreendidos e cumpridos. Por isso, treinamento contínuo, educação sanitária e monitoramento da adesão fazem parte do programa.

Qual é o papel do médico-veterinário?

O médico-veterinário especializado em sanidade avícola auxilia na identificação dos riscos, na definição e revisão dos protocolos, no monitoramento dos resultados e na capacitação das equipes, adaptando as medidas aos desafios epidemiológicos de cada operação.

O estudo avaliou experimentalmente um incubatório?

Não. Trata-se de uma revisão da literatura, e não de um ensaio experimental conduzido em um único incubatório. Os autores reuniram e integraram evidências de diferentes trabalhos para discutir a aplicação operacional da biosseguridade. Por isso, os números apresentados precisam ser entendidos dentro dos estudos originais citados pela revisão.

Referência

TUJIMOTO-SILVA, A.; STEFFEN, R. P. B.; KNÖBL, T. Operational biosecurity in poultry hatcheries. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 63, e240228, 2026.

DOI: 10.11606/issn.1678-4456.bjvras.2026.240228

Artigo publicado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). 

 

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