Nesta matéria, reunimos os principais pontos apresentados por Paulo Raffi e aprofundamos os conceitos relacionados à biosseguridade na produção de ovos, destacando sua aplicação prática nas granjas e sua importância para a prevenção da Salmonella.
Quando se fala em Salmonella, muitas pessoas imaginam que o problema está apenas no ovo. Na prática, o controle começa muito antes da postura e depende da capacidade da granja de impedir que o agente entre, circule e se estabeleça no plantel.
Segundo o médico-veterinário Paulo Raffi, especialista e sócio-proprietário da Plaforma Biosseguridade.com, o sucesso desse controle não depende de uma única medida. A proteção dos ovos é resultado de um conjunto de ações planejadas, executadas e monitoradas continuamente ao longo de todo o sistema produtivo.
Em entrevista à aviNews Brasil, o especialista destacou que a biosseguridade deve ser encarada como um processo permanente de gestão de riscos, capaz de reduzir as oportunidades de introdução e disseminação de agentes patogênicos, entre eles a Salmonella.
A contaminação normalmente não ocorre de forma aleatória.
Diversos fatores podem introduzir o agente dentro da granja, como:
Cada uma dessas vias representa um risco potencial e precisa ser considerada durante o planejamento do programa de biosseguridade.
Biosseguridade é planejamento, execução e monitoramento
Um dos principais pontos destacados por Paulo Raffi é que biosseguridade não pode ser resumida a uma lista de procedimentos.
Ela precisa funcionar como um sistema de gestão.
Isso significa que todas as medidas devem ser:
Protocolos bem escritos, mas que não são cumpridos na rotina da granja, deixam de cumprir seu objetivo.
O monitoramento contínuo permite identificar desvios antes que eles se transformem em problemas sanitários.
Outro aspecto abordado durante a entrevista foi a diferença entre os sistemas de criação.
Embora muitas vezes utilizados como sinônimos, cage-free e free range apresentam características distintas.
No sistema cage-free, as aves permanecem livres dentro do galpão, sem utilização de gaiolas, porém normalmente não possuem acesso ao ambiente externo.
Já no sistema free range, além da liberdade dentro do aviário, existe acesso a áreas externas durante parte do dia.
Essa diferença altera significativamente o perfil de exposição das aves aos agentes presentes no ambiente.
O contato com solo, vegetação, insetos, aves silvestres e outros animais exige protocolos de biosseguridade específicos para manter o mesmo nível de proteção sanitária.
Isso não significa que um sistema seja superior ao outro, mas que cada modelo apresenta desafios próprios que precisam ser considerados durante a gestão sanitária.
Independentemente do modelo adotado, o objetivo permanece o mesmo:
reduzir as oportunidades para que a Salmonella alcance as aves e, posteriormente, os ovos.
Para isso, o programa de biosseguridade deve considerar as características de cada propriedade, incluindo:
Não existe um protocolo único que funcione para todas as granjas.
Quando a biosseguridade funciona corretamente, seus benefícios vão além da sanidade do plantel.
Ela contribui diretamente para:
Em outras palavras, a segurança dos alimentos começa muito antes de o ovo chegar ao supermercado.
A Salmonella continua sendo um dos principais agentes monitorados pela cadeia de produção de ovos devido aos impactos na saúde pública e nas exigências sanitárias dos mercados consumidores.
Por isso, investir em biosseguridade significa reduzir riscos sanitários, minimizar perdas econômicas e produzir alimentos com maior segurança.
Mais do que cumprir protocolos, trata-se de construir um sistema capaz de prevenir problemas antes que eles ocorram.
A Salmonella é um gênero de bactérias capaz de infectar aves, outros animais e seres humanos. Alguns sorovares podem estar associados à contaminação de ovos e causar doenças transmitidas por alimentos.
Ela pode alcançar o sistema produtivo por diferentes vias, como pessoas, veículos, equipamentos, água, ração, roedores, insetos, aves silvestres e falhas de higiene. Se a bactéria atingir o plantel, aumenta o risco de contaminação dos ovos.
A biosseguridade reúne medidas destinadas a impedir a entrada, permanência e disseminação de agentes infecciosos na granja. Quando bem aplicada, reduz significativamente o risco de introdução da Salmonella.
Não. No sistema cage-free, as aves ficam livres dentro do galpão, sem gaiolas. No free range, além da liberdade dentro do aviário, elas têm acesso ao ambiente externo, o que altera o perfil de exposição aos agentes presentes na propriedade.
Sim. O acesso ao ambiente externo aumenta o contato das aves com solo, insetos, aves silvestres e outros fatores ambientais. Isso exige protocolos de biosseguridade mais específicos e monitoramento constante.
Não. Barreiras físicas são importantes, mas a eficiência depende do comportamento das pessoas, do cumprimento dos protocolos e da revisão contínua dos procedimentos.
Sim. Um programa eficiente inclui auditorias, registros, inspeções, monitoramento microbiológico, capacitação das equipes e revisão permanente das medidas adotadas.
Não. Ela protege toda a cadeia produtiva. Ao reduzir o risco de contaminação, contribui para a qualidade dos ovos, para a segurança dos alimentos, para a saúde do consumidor e para a sustentabilidade econômica da produção.