Destinação adequada de carcaças: segurança ambiental e sanitária

Destinação adequada de carcaças

Você já refletiu sobre como a destinação adequada das carcaças de animais impacta diretamente a saúde pública e o meio ambiente? Afinal, a gestão correta desses resíduos é fundamental para prevenir a disseminação de doenças e evitar a contaminação ambiental. Além disso, adotar procedimentos adequados garante a reputação do produtor e do agronegócio nacional.

A destinação adequada das carcaças de animais mortos é fundamental para assegurar a segurança sanitária e ambiental nas cadeias produtivas de suínos, aves e bovinos. No Brasil, estima-se que sejam geradas mais de um milhão de toneladas de carcaças anualmente. Ou seja, o volume é expressivo e, se não houver manejo correto, pode causar grandes problemas. Por outro lado, quando as boas práticas são adotadas, é possível evitar a propagação de doenças, a contaminação do solo e da água, além de proteger a reputação do setor agropecuário no mercado internacional.

Por que a destinação adequada das carcaças é essencial?

A forma como os resíduos são tratados impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a competitividade do agronegócio brasileiro. Portanto, entender os principais desafios e buscar soluções viáveis para um descarte seguro e sustentável é fundamental. Dessa forma, o produtor consegue se destacar no mercado e ainda contribuir para a biosseguridade, elevando o padrão de qualidade nacional.

É importante destacar que o descarte inadequado das carcaças pode resultar na proliferação de patógenos e na degradação ambiental. Por esse motivo, o tratamento desses resíduos deve seguir as exigências do Ministério da Agricultura e dos mercados importadores. Consequentemente, produtores atentos conseguem se posicionar melhor e evitar prejuízos.

Exigências do mercado internacional

Atualmente, o Brasil exporta carne para diversos países que impõem normas rígidas de sustentabilidade e segurança dos alimentos. Logo, demonstrar responsabilidade na destinação adequada das carcaças reforça a imagem do país como um fornecedor confiável. Além disso, essa postura pode abrir novas oportunidades comerciais, impulsionando ainda mais o agronegócio brasileiro.

Geração de valor com subprodutos

Longe de ser apenas um desafio, a correta destinação das carcaças pode gerar valor agregado. Por exemplo, a Instrução Normativa nº 48, de 17 de outubro de 2019, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, permite o aproveitamento desse material para produzir fertilizantes, biodiesel e biogás. Assim, essa abordagem sustentável reduz desperdícios, fomenta a economia circular e ainda traz ganhos financeiros ao produtor.

Principais métodos de destinação de carcaças

Diversas técnicas garantem a eliminação segura e sustentável das carcaças. A seguir, confira as principais opções:

  1. Compostagem

    • Tradicional: Envolve a decomposição das carcaças em pilhas cobertas com materiais ricos em carbono, como serragem e palha. Apesar de eficiente, pode apresentar desafios em operações de grande escala. Por outro lado, é acessível para pequenos e médios produtores.

    • Acelerada: O processo de compostagem em si leva de 21 a 28 dias. Depois disso, o material precisa passar por um período de estabilização de 30 dias. Somando os dois períodos, o tempo total para o material ficar pronto para uso é de aproximadamente 51 a 58 dias.

  2. Biodigestão anaeróbica

    • Esse método transforma a matéria orgânica em biogás e biofertilizantes, oferecendo uma solução sustentável e energética. Entretanto, para garantir a segurança sanitária, é necessário um pré-tratamento térmico das carcaças.

  3. Incineração

    • A incineração é indicada para carcaças de alto risco sanitário, pois elimina completamente patógenos e minimiza os riscos de contaminação. Contudo, os custos elevados e as emissões exigem um controle rigoroso para evitar impactos ambientais negativos. Dessa maneira, o método é mais indicado em situações de emergência.

  4. Recolhimento para centrais de processamento

    • O recolhimento e processamento de carcaças em centrais autorizadas possibilita sua transformação em farinhas para fertilizantes ou biodiesel. Essa solução está regulamentada pela Instrução Normativa nº 48 do MAPA, garantindo segurança e aproveitamento eficiente dos resíduos. Além disso, o processo é rastreável e fiscalizado.

  5. Enterro controlado de carcaças

    • Embora seja um método de baixo custo, o enterro controlado exige locais apropriados, longe de fontes hídricas, e profundidade adequada para evitar contaminação. Por essa razão, seu uso é menos indicado em áreas de alta densidade produtiva devido aos riscos sanitários e ambientais. Portanto, a escolha deve ser feita com base na realidade local.

O que você deve saber?

Adotar práticas adequadas na destinação adequada das carcaças é indispensável para garantir biosseguridade, minimizar impactos ambientais e manter a competitividade do setor agropecuário. Iniciativas como o projeto TEC-DAM viabilizam soluções adaptáveis à realidade dos produtores, permitindo um manejo eficiente e sustentável.

Investir na gestão adequada desses resíduos fortalece a imagem do Brasil como referência em produção responsável. Ou seja, a sustentabilidade no agronegócio não é apenas uma exigência regulatória, mas também um diferencial competitivo que abre portas para mercados mais exigentes e consumidores conscientes.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Qual a dimensão do problema da destinação de carcaças animais no Brasil?

A destinação adequada das carcaças representa um desafio ambiental e sanitário significativo. No Brasil, estima-se que a produção de suínos, aves e bovinos gere mais de 1 milhão de toneladas de carcaças por ano. Por isso, esse volume exige soluções adequadas para evitar riscos sanitários, impactos ambientais e barreiras comerciais.

2. Por que a destinação correta de carcaças animais é tão importante?

A destinação inadequada pode resultar em problemas sanitários, ambientais e econômicos, tais como:

  • Propagação de doenças e contaminação do solo e da água

  • Riscos à saúde de trabalhadores rurais e consumidores

  • Restrição no comércio internacional

3. Quais são os principais métodos de destinação de carcaças animais?

As principais alternativas para o descarte seguro incluem:

  • Compostagem tradicional

  • Compostagem acelerada

  • Biodigestão anaeróbica

  • Incineração

  • Recolhimento para centrais de processamento

4. Quais as vantagens e desvantagens da compostagem tradicional?

Vantagens:
Processo natural, sustentável e de baixo custo para pequenos e médios produtores.

Desvantagens:

Exige manejo frequente e pode não ser viável em larga escala.

5. Como funciona a compostagem acelerada e quais são seus benefícios?

Utiliza trituradores para reduzir o tamanho das carcaças, dispensando o esquartejamento manual. O tempo médio do processo é de 21 a 28 dias para compostagem completa e 30 dias para estabilização.

6. A biodigestão anaeróbica é uma solução completa para o tratamento de carcaças?

Não. A biodigestão anaeróbica gera biogás e biofertilizante, mas não elimina completamente os patógenos presentes nas carcaças. Para garantir segurança sanitária, é necessário um pré-tratamento térmico (aquecimento a 70°C por 2 horas), além da trituração das carcaças antes da inserção nos biodigestores.

7. O recolhimento de carcaças para processamento fora da propriedade é permitido? Quais são as regulamentações?

Sim, regulamentado pela Instrução Normativa nº 48 do MAPA (2019), que estabelece regras para transporte, processamento e destino das carcaças.

Fonte: https://www.embrapa.br/suinos-e-aves/tec-dam

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Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte

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