Você já parou para pensar quantas mãos, veículos e equipamentos circulam em uma granja de aves ao longo de um único dia? Cada movimento é uma porta de entrada em potencial para agentes que podem comprometer a sanidade do plantel.
É aqui que entra a biosseguridade em avicultura: um conjunto de medidas planejadas para reduzir riscos, proteger as aves e garantir uma produção estável e segura.
O que é biosseguridade em avicultura?
Biosseguridade em avicultura é o conjunto de práticas que têm como objetivo impedir a entrada e a disseminação de agentes infecciosos nas granjas de aves.
Ela envolve:
controle de acesso de pessoas, veículos e equipamentos;
higienização e desinfecção adequadas;
manejo organizado de resíduos e carcaças;
monitoramento constante da sanidade das aves.
Em resumo: é a linha de defesa que separa um plantel sadio de um cenário de surtos, perdas e interdições.
Por que a biosseguridade é tão importante para as granjas de aves?
Na avicultura, doenças se espalham com rapidez. Um único foco pode levar à:
queda brusca de produtividade;
aumento de mortalidade;
necessidade de sacrifício de lotes inteiros;
suspensão de abates e embarques;
perda de mercados internos e externos.
Quando a biosseguridade é bem aplicada, a granja:
reduz o risco de introduzir agentes como influenza aviária, doença de Newcastle e salmonelas;
mantém a sanidade do plantel em níveis mais previsíveis;
ganha estabilidade produtiva e econômica;
contribui para a imagem do Brasil como fornecedor confiável de proteína de origem avícola.
Quais são os principais riscos sanitários na avicultura?
Entre os riscos mais relevantes para a avicultura estão:
Doenças respiratórias e entéricas, que afetam desempenho e bem-estar das aves;
Doenças de alta importância sanitária, como influenza aviária e doença de Newcastle;
Contaminação por bactérias (por exemplo, salmonelas), que afetam tanto a produção quanto a segurança dos alimentos;
Introdução de agentes por pessoas, veículos, equipamentos, ração ou água contaminados;
Contato com aves silvestres, roedores e outros animais que atuam como vetores.
A biosseguridade organiza a rotina da granja para reduzir a chance de esses riscos entrarem no sistema ou circularem entre os galpões.
Quais medidas de biosseguridade aplicar na rotina da granja?
Algumas medidas são básicas e devem fazer parte da cultura da unidade:
Controle de acesso
Cadastro de visitantes e prestadores de serviço.
Restrição de entrada de pessoas não autorizadas.
Barreiras físicas e sanitárias
Cercas e portões controlados.
Pedilúvios e rodolúvios com desinfetantes renovados com frequência.
Rotina de higiene e desinfecção
Lavagem e desinfecção de veículos que acessam a granja.
Limpeza estruturada de galpões, equipamentos e utensílios.
Manejo de resíduos e carcaças
Destinação correta de aves mortas.
Armazenamento e manejo de dejetos em áreas adequadas.
Qualidade de água e ração
Monitoramento e, quando necessário, tratamento da água fornecida.
Cuidados com armazenamento, transporte e manejo de ração.
Plano de contingência
Procedimentos definidos para suspeitas de doença.
Contato rápido com o médico-veterinário e o serviço oficial.
Cada granja pode adaptar essas medidas à sua realidade, mas a lógica central permanece: quanto mais organizado o fluxo, menor o risco sanitário.
Como engajar a equipe e integrar a biosseguridade ao manejo?
Biosseguridade não funciona só no papel. Ela depende do comportamento diário de quem trabalha na granja.
Alguns pontos-chave:
treinar continuamente todos os colaboradores, explicando o porquê de cada medida;
criar rotinas simples, claras e viáveis, para que sejam seguidas de fato;
padronizar procedimentos (checklists, fluxos, sinalizações);
envolver a equipe na identificação de falhas e na construção de soluções.
Quando a biosseguridade entra na rotina como parte do manejo, deixa de ser vista como burocracia e passa a ser reconhecida como proteção do próprio trabalho de quem está no dia a dia da produção.
Biosseguridade em avicultura constitui-se na adoção de um conjunto de medidas e procedimentos operacionais que visam prevenir, controlar e limitar a exposição das aves contidas em um sistema produtivo a agentes causadores de doenças.
Ao implementar e manter boas práticas de produção baseadas em biosseguridade, o produtor minimiza o risco de introdução e disseminação de doenças em sua granja.
Nesse sentido, o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) define, por meio da Instrução Normativa nº 56, de 4 de dezembro de 2007, os procedimentos para o registro, a fiscalização e o controle sanitário dos Estabelecimentos Avícolas de Reprodução, Comerciais e de Ensino ou Pesquisa.
O registro destes estabelecimentos avícolas no Serviço Veterinário Oficial (SVO) é obrigatório:
Os estabelecimentos avícolas de reprodução devem ser registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
Os estabelecimentos avícolas comerciais e de ensino ou pesquisa devem ser registrados nos Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária Animal
* Excluem-se da obrigatoriedade do registro os estabelecimentos avícolas que possuam até 1.000 (mil) aves, desde que as aves, seus produtos e subprodutos sejam destinados a comércios locais intramunicipais e municípios adjacentes.
Para maiores informações, consulte à legislação vigente ou à Unidade Veterinária Local do Serviço Veterinário Oficial mais próxima.
Fonte: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/pnsa/biosseguridade
FAQ – Perguntas frequentes sobre biosseguridade em avicultura
O que é biosseguridade em avicultura?
É o conjunto de medidas que protege as granjas de aves contra a entrada e a circulação de agentes que causam doenças, mantendo a sanidade do plantel.
Biosseguridade é só para grandes integrações?
Não. Pequenos, médios e grandes produtores precisam de biosseguridade. A escala pode mudar, mas o princípio é o mesmo: prevenir é sempre mais barato do que lidar com um surto.
Quais são as ações básicas de biosseguridade em uma granja de aves?
Controle de acesso, limpeza e desinfecção, barreiras sanitárias, manejo correto de resíduos e monitoramento da sanidade das aves.
Biosseguridade substitui vacinação?
Não. Biosseguridade e vacinação são ferramentas complementares. A biosseguridade reduz o risco de exposição; as vacinas ajudam a proteger o plantel quando a exposição ocorre.
Por que a biosseguridade é estratégica para o Brasil?
Porque o país depende da confiança sanitária para exportar produtos de origem avícola. Falhas de biosseguridade podem fechar mercados inteiros e gerar prejuízos em cadeia.




