Rio Grande do Sul encerra foco de influenza aviária em aves de subsistência após vistoria em 70 propriedades

O Rio Grande do Sul confirmou um novo caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência no município de Selbach, na região do Alto Jacuí. A ocorrência foi confirmada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP) em 5 de outubro de 2026, após atendimento a uma notificação de mortalidade de aves registrada quatro dias antes.

Após a confirmação, equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), iniciaram a investigação nas propriedades do entorno. Em 7 de outubro, a Secretaria informou ter concluído as vistorias no raio de três quilômetros do foco, sem identificar novas suspeitas, e considerou o foco encerrado.

Caso começou com notificação de mortalidade

O atendimento inicial ocorreu em 1º de outubro, quando o Serviço Veterinário Oficial recebeu uma notificação de mortalidade de animais na propriedade.

As amostras coletadas foram encaminhadas ao LFDA-SP, laboratório de referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou o diagnóstico de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em 5 de outubro.

O caso ocorreu em aves de subsistência, ou seja, aves mantidas em criação doméstica ou de fundo de quintal, e não em uma granja comercial.

Vistorias alcançaram 70 propriedades

Logo após a confirmação, a previsão inicial era visitar 68 propriedades localizadas em um raio de três quilômetros do foco. Durante o trabalho de campo, porém, as equipes acabaram vistoriando 70 propriedades.

Os técnicos realizaram:

  • entrevistas com os produtores;
  • checklist sanitário;
  • inspeção clínica das aves;
  • orientação à comunidade;
  • ações de educação sanitária;
  • visitas a casas agropecuárias da região.

Segundo a diretora do DDA/Seapi, Rosane Collares, nenhuma das propriedades vistoriadas apresentou suspeita ou novo registro compatível com influenza aviária.

Com base nessa avaliação, a Secretaria considerou o foco encerrado em 7 de outubro.

Granja comercial no raio de dez quilômetros estava sem aves

A investigação também alcançou uma granja comercial localizada dentro do raio de dez quilômetros da ocorrência.

De acordo com a Seapi, essa unidade estava sem aves alojadas no momento da vistoria.

Esse dado é importante porque diferencia o foco confirmado em aves de subsistência da produção comercial.

Até a atualização oficial publicada em 8 de outubro, não havia relato de novas suspeitas nas propriedades vistoriadas no entorno do foco.

Serviço Veterinário Oficial mantém vigilância

Mesmo após considerar o foco encerrado, a Seapi informou que as equipes locais continuarão mantendo nível elevado de atenção e realizando vistorias nas propriedades da região.

A resposta rápida ao evento foi destacada pela Secretaria como parte da experiência acumulada pelo Serviço Veterinário Oficial desde os primeiros registros de influenza aviária no Estado.

O primeiro foco detectado no Rio Grande do Sul ocorreu em 2023, na Reserva Ecológica do Taim, segundo a própria Seapi.

Aves de subsistência também fazem parte da vigilância sanitária

O episódio de Selbach reforça um aspecto importante da vigilância contra a influenza aviária: as medidas de prevenção não se restringem às granjas comerciais.

O Programa Estadual de Sanidade Avícola do Rio Grande do Sul inclui a vigilância passiva de aves de subsistência e de outras criações, especialmente para doenças de notificação obrigatória, como influenza aviária e doença de Newcastle.

Essas criações podem ter características diferentes dos sistemas comerciais, principalmente pela maior possibilidade de contato com aves silvestres, outras espécies, pessoas e ambientes externos.

Por isso, a identificação precoce de mortalidade anormal ou de sinais respiratórios e neurológicos tem papel central na vigilância epidemiológica.

Biosseguridade não se limita às granjas comerciais

Uma das principais lições de ocorrências em aves de subsistência é que a biosseguridade precisa envolver toda a cadeia avícola.

Mesmo pequenas criações podem fazer parte do ambiente epidemiológico onde agentes infecciosos circulam.

Medidas simples ajudam a reduzir riscos, como:

  • evitar contato entre aves domésticas e aves silvestres;
  • proteger água e ração;
  • restringir movimentações desnecessárias;
  • evitar compartilhamento de equipamentos entre propriedades;
  • higienizar calçados e materiais;
  • observar diariamente o comportamento e a mortalidade das aves;
  • comunicar rapidamente qualquer suspeita.

A velocidade da notificação é especialmente importante porque permite que o Serviço Veterinário Oficial atue antes que um possível agente se espalhe para outras propriedades.

Quais sinais devem ser observados?

A Secretaria da Agricultura orienta produtores e responsáveis por aves a observarem sinais compatíveis com influenza aviária, entre eles:

  • dificuldade respiratória;
  • secreção nasal ou ocular;
  • espirros;
  • incoordenação motora;
  • torcicolo;
  • diarreia;
  • mortalidade elevada ou súbita.

A ocorrência desses sinais deve ser comunicada imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

Não se deve tocar em aves doentes ou mortas

A Seapi também orienta a população a não se aproximar, tocar ou tentar socorrer aves doentes, feridas ou mortas.

A influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, mais raramente, seres humanos.

A orientação é acionar as autoridades sanitárias para que a coleta e a investigação sejam feitas de maneira segura.

Consumo de carne de aves e ovos não transmite a doença

A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul ressalta que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves ou ovos.

A recomendação de não manipular aves doentes ou mortas está relacionada ao contato direto com animais suspeitos e não ao consumo de produtos avícolas regularmente inspecionados.

Notificação precoce é uma das principais barreiras

O episódio de Selbach mostra como vigilância e resposta rápida funcionam na prática.

A sequência ocorreu em poucos dias:

  • 1º de outubro: atendimento da notificação de mortalidade;
  • 5 de outubro: confirmação laboratorial da IAAP;
  • 6 de outubro: divulgação oficial do caso;
  • 7 de outubro: conclusão das vistorias no raio de três quilômetros e encerramento do foco, sem novas suspeitas identificadas.

A capacidade de identificar rapidamente uma suspeita, encaminhar amostras ao laboratório, rastrear propriedades próximas e intensificar a vigilância é parte essencial dos programas de biosseguridade e defesa sanitária animal.

Biosseguridade depende também da participação do produtor

Nenhum sistema de vigilância funciona sem a participação de quem está diariamente com os animais.

Produtores, trabalhadores rurais e responsáveis por pequenas criações são frequentemente os primeiros a perceber mudanças no comportamento, sinais clínicos ou mortalidade inesperada.

A comunicação imediata permite que o Serviço Veterinário Oficial avalie a ocorrência e adote rapidamente medidas de contenção.

No caso de Selbach, apenas quatro dias separaram o primeiro atendimento da confirmação laboratorial.

A ocorrência reforça, portanto, que a biosseguridade não começa somente nas barreiras físicas de uma propriedade. Ela também depende de observação, informação e notificação rápida.

Perguntas frequentes sobre o caso de influenza aviária em Selbach

Onde foi confirmado o novo foco de influenza aviária?

O foco foi confirmado no município de Selbach, na região do Alto Jacuí, no Rio Grande do Sul.

O caso ocorreu em uma granja comercial?

Não. A ocorrência foi registrada em aves de subsistência. Uma granja comercial localizada no raio de dez quilômetros foi vistoriada, mas estava sem aves alojadas.

Quando o caso foi confirmado?

O resultado positivo foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas em 5 de outubro de 2026.

Quando começou a investigação?

O atendimento à notificação de mortalidade ocorreu em 1º de outubro de 2026.

Quantas propriedades foram vistoriadas?

As equipes do DDA vistoriaram 70 propriedades dentro do raio de três quilômetros do foco.

Foram encontrados outros casos?

Não. Segundo a Seapi, nenhuma das propriedades vistoriadas apresentou nova suspeita ou registro compatível com a doença.

O foco ainda está ativo?

A Secretaria informou em 7 de outubro que, após a conclusão das vistorias e a ausência de novas suspeitas, o foco foi considerado encerrado. As equipes, porém, continuarão mantendo vigilância na região.

É seguro consumir carne de frango e ovos?

Sim. A Seapi informa que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves e ovos.

Quais sinais devem ser comunicados?

Sinais respiratórios ou neurológicos e mortalidade elevada ou súbita devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

Como comunicar uma suspeita no Rio Grande do Sul?

A suspeita pode ser informada à Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp da Secretaria da Agricultura: (51) 98445-2033.

Por que os casos em aves de subsistência merecem atenção?

Porque essas aves também fazem parte do sistema de vigilância sanitária e podem estar expostas ao contato com aves silvestres, outros animais e diferentes ambientes. A notificação precoce ajuda a evitar que um possível agente alcance outras propriedades.

Fontes

Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS)
“RS registra caso de gripe aviária em aves de subsistência no município de Selbach” — 6 de outubro de 2026.

Seapi-RS
“Secretaria da Agricultura finaliza vistoria no raio de 3 km de propriedade com gripe aviária” — 7 de outubro de 2026.

Governo do Estado do Rio Grande do Sul
“Governo do Estado finaliza vistoria no raio de três quilômetros de propriedade com gripe aviária em Selbach” — 8 de outubro de 2026.

Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA-RS)
Informações oficiais sobre vigilância sanitária e influenza aviária.

 

Foto de Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte

Paulo Raffi e Luiz Eduardo Conte

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